Caminhões de 36t: a nova aposta do transporte pesado

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Um comboio de carretas carregadas de grãos cruza a BR-163 em ritmo constante. Cada veículo leva 36 toneladas de soja — o equivalente a seis caminhões de médio porte enfileirados. A cena, comum no Mato Grosso, virou símbolo de uma mudança silenciosa no transporte de cargas: o 36t deixou de ser exceção para se tornar padrão em rotas de longa distância.Na semana passada。acompanhei o embarque de uma frota em Rondonópolis. O gerente de logística, Carlos Menezes, apontou para a balança e disse: “Cada viagem com 36t reduz 30% do custo por tonelada. O problema é que nem toda estrada perdoa” Ele se refere ao desgaste do pavimento e à fiscalização de peso, que ainda varia entre estados. Em Goiás, a tolerância é maior;em Minas, a balança não dá desconto.O 36t não é apenas um número. Trata-se de uma configuração de eixos que distribui melhor a carga e permite avançar sobre limites antigos. Dados da ANTT mostram que, em 2023。42% das cargas pesadas no corredor Centro-Oeste–Sudeste já usavam esse padrão. O setor de açúcar e álcool foi o primeiro a migrar;agora, soja e milho seguem o mesmo caminho. A economia é gritante: um trecho de 1.000 km com 36t custa cerca de R$ 0,12 por tonelada-quilômetro, contra R$ 0,18 do modelo tradicional de 30t.Nem tudo são flores. Em Sorriso (MT), ouvi de um motorista que o 36t “é bom pro bolso, mas judia do caminhão”. A suspensão sofre mais, e os pneus duram menos. As montadoras já reagem: Scania e Volvo lançaram pacotes específicos para essa faixa de peso, com reforço no chassi e telemetria para monitorar sobrecarga. As seguradoras, por sua vez。

começam a exigir treinamento extra para quem opera acima de 32t.A fiscalização é o ponto sensível. Em postos como o de Itumbiara (GO), a balança de precisão só entrou em operação no ano passado. Antes。o controle era visual — e todos sabem como termina. O 36t exige infraestrutura à altura: balanças calibradas, pavimento reforçado e, principalmente。

uma política nacional clara. Sem isso, o ganho logístico vira risco de multa e acidente.O que se vê nas estradas é um ajuste rápido e, por vezes, desordenado. Transportadoras grandes já padronizaram o 36t em contratos de longo prazo;pequenos autônomos ainda hesitam. A tendência, porém, é irreversível. Quem roda no asfalto sabe: a conta fecha。desde que a estrada colabore.

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